Recital de piano e oboé
Reflexos infinitos
Sexta-feira, 15 de novembro, às 20h
Casa da Música Sônia Cabral
R. São Gonçalo - Centro, Vitória - ES, Brasil
Sobre o espetáculo
Somos o resultado do conjunto de experiências recolhidas ao longo do tempo, e é por meio do que somos que compreendemos o mundo. Cada experiência individual oferece, assim, um olhar único e pessoal para o que chamamos de realidade. E, então, é como se observássemos um espelho em que vemos refletidos, em nossas percepções sobre o mundo, aquilo que somos.
A valorização de diferentes experiências individuais – e da multiplicidade de narrativas que ela sugere – é uma das marcas de nosso tempo. Ainda assim, é preciso que, para o individual não se tornar sectário, busquemos a capacidade de ir além de nosso próprio espelho para reconhecer o espelho do outro. E nele encontrarmos elementos para compreendermos a nós próprios e ao mundo.
O programa do recital aborda, por meio da metáfora do espelho, os mecanismos da relação que mantemos com nossa experiência e com a dos outros no espaço de interação social. Estamos mesmo dispostos a olhar o outro? E a fazê-lo pautados pelo respeito?
Começamos no final da década de 1930. A ascensão do nazismo e o assassinato de milhões de judeus foi um exemplo extremo da incapacidade de reconhecer o outro que, naquele momento, foi aniquilado em nome da afirmação da identidade de um regime. O compositor Pavel Haas escreve naquele momento sua Suíte para oboé e piano, que expressa o clima sombrio que começava a se desenhar à sua volta.
Claude Debussy ficou conhecido como representante do impressionismo na música, um movimento do final do século XIX que sugeria uma arte feita não do retrato do real, mas da percepção do artista sobre ele. Uma das características desse movimento era a aceitação da mudança, do modo como a realidade está sempre se transformando à nossa volta, como em um reflexo na água, tornado diferente a cada mover das ondas.
Na história da música, o termo “romance” refere-se a peças de caráter normalmente pessoais, que revelam um olhar delicado e gentil, que Clara Schumann, em seus Três Romances, dirige ao marido, Robert. Por sua vez, a expressão Spiegel im Spiegel pode ser traduzida como “espelho no espelho”. E a peça de Arvo Pärt coloca, assim, a sugestiva imagem de uma sucessão infinita de reflexos.
A origem da Canção do Adeus, de Deise Hatum, está ligada à criação de outra obra. Enquanto ela escrevia um alegre choro, uma melodia de caráter mais introspectivo não deixava sua mente, ainda que não combinasse com a partitura na qual trabalhava. Com a peça finalizada, ela então voltou ao piano para compor essa canção, nascida, assim, daquilo que parecia o seu completo oposto.
A Sonata para oboé, de Francis Poulenc, encerra o programa. A peça faz parte de um grupo de três obras, cada uma para um instrumento diferente. Entre elas, porém, levando em consideração o som individual de cada instrumento, há uma série de diálogos e melodias compartilhadas, às vezes de forma similar, às vezes ao contrário, simbolizando uma natureza humana na qual há semelhanças mesmo nos contrastes.
João Luiz Sampaio
Assista à transmissão
Ficha Técnica
Paavel Haas
Suíte para oboé e piano
Claude Debussy
Reflets dan l’eau
Clara Schumann
Três romances op. 22
Arvo Pärt
Spiegel im spiegel
Deise Hattum
Canção do Adeus
Francis Poulenc
Sonata para oboé e piano
Willian Lizardo, piano
Nathalia Maria, oboé
Paavel Haas
Suíte para oboé e piano
Claude Debussy
Reflets dan l’eau
Clara Schumann
Três romances op. 22
Arvo Pärt
Spiegel im spiegel
Deise Hattum
Canção do Adeus
Francis Poulenc
Sonata para oboé e piano
Willian Lizardo, piano
Nathalia Maria, oboé
Sobre o espetáculo
Somos o resultado do conjunto de experiências recolhidas ao longo do tempo, e é por meio do que somos que compreendemos o mundo. Cada experiência individual oferece, assim, um olhar único e pessoal para o que chamamos de realidade. E, então, é como se observássemos um espelho em que vemos refletidos, em nossas percepções sobre o mundo, aquilo que somos.
A valorização de diferentes experiências individuais – e da multiplicidade de narrativas que ela sugere – é uma das marcas de nosso tempo. Ainda assim, é preciso que, para o individual não se tornar sectário, busquemos a capacidade de ir além de nosso próprio espelho para reconhecer o espelho do outro. E nele encontrarmos elementos para compreendermos a nós próprios e ao mundo.
O programa do recital aborda, por meio da metáfora do espelho, os mecanismos da relação que mantemos com nossa experiência e com a dos outros no espaço de interação social. Estamos mesmo dispostos a olhar o outro? E a fazê-lo pautados pelo respeito?
Começamos no final da década de 1930. A ascensão do nazismo e o assassinato de milhões de judeus foi um exemplo extremo da incapacidade de reconhecer o outro que, naquele momento, foi aniquilado em nome da afirmação da identidade de um regime. O compositor Pavel Haas escreve naquele momento sua Suíte para oboé e piano, que expressa o clima sombrio que começava a se desenhar à sua volta.
Claude Debussy ficou conhecido como representante do impressionismo na música, um movimento do final do século XIX que sugeria uma arte feita não do retrato do real, mas da percepção do artista sobre ele. Uma das características desse movimento era a aceitação da mudança, do modo como a realidade está sempre se transformando à nossa volta, como em um reflexo na água, tornado diferente a cada mover das ondas.
Na história da música, o termo “romance” refere-se a peças de caráter normalmente pessoais, que revelam um olhar delicado e gentil, que Clara Schumann, em seus Três Romances, dirige ao marido, Robert. Por sua vez, a expressão Spiegel im Spiegel pode ser traduzida como “espelho no espelho”. E a peça de Arvo Pärt coloca, assim, a sugestiva imagem de uma sucessão infinita de reflexos.
A origem da Canção do Adeus, de Deise Hatum, está ligada à criação de outra obra. Enquanto ela escrevia um alegre choro, uma melodia de caráter mais introspectivo não deixava sua mente, ainda que não combinasse com a partitura na qual trabalhava. Com a peça finalizada, ela então voltou ao piano para compor essa canção, nascida, assim, daquilo que parecia o seu completo oposto.
A Sonata para oboé, de Francis Poulenc, encerra o programa. A peça faz parte de um grupo de três obras, cada uma para um instrumento diferente. Entre elas, porém, levando em consideração o som individual de cada instrumento, há uma série de diálogos e melodias compartilhadas, às vezes de forma similar, às vezes ao contrário, simbolizando uma natureza humana na qual há semelhanças mesmo nos contrastes.
João Luiz Sampaio