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Fronteiras: Interdição e Permeabilidade

Diante do momento excepcional e tão delicado em que o Brasil e todo o planeta se encontram, realizar a edição de 2020 do Festival de Música Erudita do Espírito Santo traz grandes desafios para seus organizadores, parceiros e artistas.

Este momento de pandemia tem tornado ainda mais evidente um grande paradoxo humano: somos todos parte de uma mesma humanidade, todos afetados por esse acontecimento, mas, ao mesmo tempo, partes tão diferentes e que sofrem as exigências do momento de modos tão desiguais, que se torna difícil nos enxergarmos como um todo. Isso nos faz refletir sobre os limites das fronteiras físicas e simbólicas que nos conectam e nos separam e sobre os sentidos que buscamos criar nesta edição do Festival.

A partir dessas reflexões, a curadoria artística da 8ª edição do Festival de Música Erudita do Espírito Santo propõe uma programação em torno do tema Fronteiras:  interdição e permeabilidade, e de dicotomias que dele se desdobram como global/local, diferença/semelhança, presença/ausência, liberdade/aprisionamento, centro/periferia. Essa temática permeia e costura o repertório do Festival constituído por composições brasileiras, portuguesas e latino-americanas, com um enfoque especial em obras de compositores brasileiros dos séculos XX e XXI e na produção de compositoras.

Dessa forma, deslocamos o foco do repertório usual de música de concerto tradicional realizado no Brasil, em geral obras de países centrais da Europa, para um universo riquíssimo de composições pouco ou nada conhecidas pelo próprio público brasileiro e de todo o mundo.

É importante ressaltar ainda que, se o distanciamento social, ação tão importante para a contenção do avanço da pandemia, cria uma série de desafios para a realização de eventos artísticos como espetáculos, concertos e festivais, por outro lado impulsiona a investigação de novas linguagens, ações, formas de acesso e comunicação com o público. Desse modo, o tema Fronteiras: interdição e permeabilidade está também diretamente relacionado com o caráter virtual desta edição que contará com oito concertos transmitidos ao vivo através do canal do Festival no Youtube, captados sob a direção da cineasta Úrsula Dart,  e com cinco lives  que abordarão diferentes aspectos da temática desta edição. Pela primeira vez a programação do Festival de Música Erudita poderá ser acessada e apreciada não somente pelo público do Espírito Santo mas de todo o planeta,  potencializando a divulgação da música brasileira e do trabalho dos artistas capixabas.

Em síntese, desejamos que o festival consiga atravessar muitas fronteiras, superando interdições, ampliando permeabilidades e contribuindo para o desenho de uma cartografia humana mais solidária.

Livia Sabag

Um festival, e um mundo, sem barreiras

Nos últimos cem anos, o chamado mundo da música clássica estabeleceu sua atuação a partir de barreiras invisíveis e, ainda assim, profundamente arraigadas. A ideia de um cânone musical e a noção de uma tradição a ser preservada contra a ação do tempo a certa altura acabaram limitando nossa percepção sobre repertório, silenciando vozes e fechando nossos olhares para o mundo à nossa volta.

João Luiz Sampaio

06 de Novembro 

20h CONCERTO DE ABERTURA
Orquestra Camerata SESILuciano Maia solistas da OSES
Regência: Gabriela Queiroz

07 de Novembro 

20h VOZ E VIOLÃO

Bruno Madeira e Priscila Aquino
Vocal Coach: Fábio Bezuti

13 de Novembro 

20h PIANO, CLARINETE, VIOLINO E VOZ

Meire Norma, Willian Lizardo e Clarinetista OSES
Participação especial: Natércia Lopes e Jacqueline Lima
Vocal Coach: Fábio Bezuti

14 de Novembro 

20h DUOS E SOLOS DE VIOLINO E VIOLONCELO 
Gabriela Queiroz e Jonathan Azevedo

20 de Novembro 

20h QUARTETOS E QUINTETO DE CORDAS

Quarteto Bratya - Diego AdinolfiElton Reis, Rodney Silveira e Jonathan Azevedo

Participação especial: Leandro Nery

21 de Novembro 

20h VOZ E VIOLINO
Emmanuele Baldini e Manuela Freua

27 de Novembro 

20h VOZ E PIANO

Ricardo Ballestero e Camila Titinger.

28 de Novembro 

20h CONCERTO DE ENCERRAMENTO
Marina Considera e Orquestra Camerata SESI
Participação especial: OSES-Orquestra Sinfônica do ES
Regência: Helder Trefzger